Pensamento de apoio 0011

Não te arrependas

Não te arrependas

Às vezes a misericórdia parece perda. Às vezes a salvação chega disfarçada de sonho não realizado.

Sentido

O arrependimento muitas vezes se apoia na convicção de que a pessoa sabe como tudo deveria ter acontecido. Este pensamento propõe outro olhar: uma perda ou um sonho não realizado podem revelar-se não como castigo, mas como proteção contra um caminho do qual a pessoa, sozinha, jamais teria saído.

Texto completo

Nunca te arrependas de nada.

Não porque tudo tenha sido agradável, correto e belo. Não. Às vezes a vida conduz uma pessoa como se tivesse nas mãos não um plano, mas um atiçador.

Mas as dificuldades muitas vezes acontecem para o bem.

Não de imediato. Não de modo evidente. Não de tal forma que, no momento do golpe, a pessoa diga alegremente: "Oh, que bênção maravilhosa acaba de me atingir a nuca".

Normalmente o sentido torna-se visível mais tarde.

Quando a dor passa. Quando o supérfluo vai embora. Quando desmorona aquilo que há muito deveria ter desmoronado. Quando a pessoa finalmente entende que não foi punida, mas retirada por uma porta que ela mesma jamais teria aberto.

E os sonhos às vezes não se realizam para melhor.

Porque muitas vezes a pessoa sonha não a partir da profundidade, mas da ferida, do medo, da inveja, da solidão ou do desejo de provar a alguém o próprio valor.

E depois se surpreende por que o Altíssimo não lhe entregou exatamente aquele brinquedo com o qual ela pretendia se ferir.

Não te arrependas.

O que foi embora abriu espaço. O que não veio talvez tenha te protegido.

Às vezes a misericórdia parece perda. Às vezes a salvação chega disfarçada de sonho não realizado...

Por que foi escolhido

Este pensamento de apoio foi escolhido porque desloca o tema da perda da queixa para o reconhecimento. Ele não anula a dor, mas permite ver no que não se realizou não apenas derrota, e sim uma forma oculta de proteção.

Nota de pesquisa

O texto trabalha com o paradoxo da dificuldade misericordiosa. Não há aqui otimismo forçado; a aspereza do golpe da vida permanece. Mas por trás desse golpe se abre outra causalidade: a pessoa nem sempre sabe exatamente de que foi poupada.

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