Pensamento de apoio 0024

O Verdadeiro Inimigo

O Verdadeiro Inimigo

O verdadeiro inimigo da pessoa não é a sua ignorância. É a certeza de que ela já sabe o bastante.

Sentido

A ignorância ainda pode aprender se conhece o próprio vazio. Mais perigosa não é a ausência de conhecimento, mas a certeza fechada que já não olha, não escuta e não duvida.

Texto completo

O verdadeiro inimigo da pessoa não é a sua ignorância.

A ignorância, por si só, ainda não é uma catástrofe.

Ela é honesta.

Ela simplesmente não sabe.

E quem não sabe e compreende que não sabe ainda pode perguntar.

Pode parar.

Pode escutar.

Pode um dia ver que o mundo era mais amplo que a certeza de ontem.

Muito mais perigoso é outra coisa.

Mais perigosa é a pessoa que não sabe, mas já está certa.

Certa de suas conclusões.

De suas ofensas.

De sua razão.

De sua imagem do mundo, montada de rumores, medo, explicações convenientes e algumas antigas feridas que há muito receberam certificados oficiais de verdade.

Essa pessoa já não procura.

Ela confirma.

Não escuta.

Verifica se o que ouve coincide com a sentença já pronunciada dentro dela.

Não olha.

Reconhece contornos preparados de antemão.

Não encontra a realidade.

Pendura nela um rótulo e segue adiante, satisfeita com a própria definição.

A ignorância pode ser iluminada.

A certeza satisfeita consigo mesma — dificilmente.

Porque ela não protege conhecimento.

Protege a imagem de alguém que tem medo de tornar-se iniciante.

Tem medo de dizer:

“Eu não entendo”.

“Eu posso ter me enganado”.

“Eu olhei de modo estreito demais”.

“Eu confundi minha reação com um fato”.

E aqui começa a verdadeira escuridão.

Não onde a pessoa não sabe algo.

Mas onde já não permite a possibilidade de saber de outro modo.

O verdadeiro inimigo da pessoa não é a sua ignorância.

É o orgulho que construiu uma cerca ao redor da ignorância e a chamou de visão de mundo.

Às vezes o primeiro passo em direção à luz não parece uma grande revelação.

Parece uma admissão simples, quase infantil:

“Eu não sei”.

E se for dita com honestidade, sem pose e sem defesa, nessa admissão já há uma porta.

Pequena.

Silenciosa.

Mas real...

Por que foi escolhido

Este pensamento fecha o arco não com outra crise, mas com o retorno ao começo de qualquer compreensão: admitir honestamente que não se sabe.

Nota de pesquisa

O texto separa o não saber da certeza fechada. O perigo começa não no vazio do conhecimento, mas no orgulho que proíbe ver esse vazio.

Ashraellen symbol— mark of presence